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Agropecuária
Após comerem capim criado para bois, cavalos morrem de cólica na Amazônia PDF Imprimir e-mail

Desenvolvido para ser consumido por bovinos, um tipo de capim tem causado a morte de cavalos na Amazônia e a origem do problema ainda intriga cientistas. Ao menos 50 mil cavalos morreram no bioma desde 2000 pelo consumo da gramínea, segundo José Diomedes Neto, professor e pesquisador da Universidade Federal do Pará (UFPA), que estudo

A morte de equíneos ocorre em "praticamente todos os estados da Amazônia" há cerca de 8 anos, segundo Neto. O motivo da morte: cólica. "Cavalos que ficam nessas pastagens começam a apresentar um quadro de cólica. O sistema digestivo para de funcionar, aumentam a quantidade de gases e o risco de haver dilatação do estômago por refluxo, o que pode levar à morte", diz o pesquisador.

"Uma média geral permite dizer que metade dos animais que adoecem, morrem, geralmente em até 48 horas", diz Neto. Segundo ele, há casos de surtos de morte de grupos de 20 a 30 cavalos de uma só vez na mesma fazenda. "Sabe-se que o problema está relacionado ao capim, mas ainda não se conhece a causa."

Segundo Neto, a origem do problema está no consumo do capim Panicum maximun e de seus derivados: massai, tanzânia-1 e mombaça. A única forma de prevenção é transportar os animais para outras pastagens nos períodos mais chuvosos, quando geralmente ocorrem as mortes por cólica, de acordo com ele.

A gramínea que causa o problema foi desenvolvida pela Embrapa Gado de Corte em Mato Grosso do Sul nos anos de 1990, segundo a pesquisadora da instituição, Liana Jank. "Ninguém sabe qual é o problema desse capim", diz ela. "Acredito que não é a pastagem, mas alguma interação com o meio ambiente. Isso só ocorre no Norte do país."

Liana explica que o excesso de umidade e o calor intenso na região podem estar relacionados a alguma transformação na gramínea - a mais comum na Amazônia, segundo ela - que prejudica os equídeos. "As condições climáticas podem provocar uma mudança na planta", diz ela.

Sabendo do problema, a Embrapa Gado de Corte elaborou em 2009 uma nota técnica para informar produtores. O texto diz que os casos "ocorrem exclusivamente na região Amazônica (sic), no período chuvoso, em especial no seu início". Segundo a nota, "não se tem verificado surto da doença em pastagens impantadas a menos de dois anos, ou quando o capim está 'maduro', nem quando os equídeos pastejam juntamente com bovinos."

Os sintomas da doença, de acordo com a nota, estão relacionados a "sinais clássicos de cólica", que deixam animais inquietos e os fazem "deitar e rolar". Como forma de prevenção, o texto indica evitar o pastejo exclusivo em áreas com a gramínea e sugere a implantação de pastagens alternativas.

De acordo com Neto, pesquisadores da UFPA, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), da Embrapa do Pará e de Mato Grosso do Sul desenvolvem estudos para tentar descobrir como solucionar o caso.

 
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