As coisas são sempre avaliadas em educação. Os estudantes que o digam.
Fazem prova disso e avaliação daquilo. São perseguidos pelos fantasmas
das notas, cobranças dos pais e classificações escolares. E para que
serve tudo isso?
Essa é uma questão que parece se perder. Quando uma escola avalia seus
alunos, seu principal objetivo deve ser o de apurar seu próprio
trabalho. Dependendo de como for o desempenho dos estudantes, ela deve
ou não prosseguir em sua maneira de propiciar o conhecimento e
desenvolvimento cognitivo de seus alunos.
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No geral, o que se percebe não é bem isso. As avaliações acabam sendo
um fim em si mesmo e não um meio de crescimento. Assim, os alunos com
notas altas são bons e com eles está tudo bem. Do contrário, têm um
problema que deverão correr atrás. Não atingiram os objetivos propostos,
não aprenderam, não se apropriaram do conhecimento que a escola detém. E
o verdadeiro fim de uma escola, ajudar seus alunos a crescer, fica
esquecido.
Os métodos de avaliação, por sua vez, são só um modo de verificação de
como as coisas andam no processo ensino aprendizagem, não são absolutos.
Tanto é assim que, observando a classificação das escolas de acordo com
o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), nota-se alguns disparates. Por
exemplo, com a diferença de apenas um ano o primeiro lugar do Enem 2009
ocupava a décima posição no ano anterior. Isso não é nada se
considerarmos um colégio do interior de São Paulo: saltou da 336ª
posição para a quarta considerando o mesmo período.
Ou essas escolas têm se aproveitado do Enem para reverem seus
trabalhos, o que num tempo tão pequeno dificilmente surtiria um efeito
tão grande; ou essa avaliação precisa ser revista, não sendo muito
confiável.
Sem status
Essa e outras avaliações das instituições de ensino, assim como as dos
alunos não devem servir apenas para garantir um status para quem é
avaliado. Ano passado, algumas escolas tiveram problemas por não terem
garantido um bom lugar na classificação do Enem. Foram questionadas pela
sua clientela.
Ela está no seu direito. Mas perpetuam aquilo que as instituições fazem
com seus filhos – colocam todo o peso de um trabalho em um exame.
Assim, ele é apenas usado para dizer se a escola é boa (como com os
alunos), deixando de lado o que seria sua principal função: a de
propiciar uma reflexão de seu trabalho e mudanças efetivas se
necessário.
No fim, os colégios acabam sendo vítimas de sua própria maneira de
agir. Que as avaliações são necessárias, não há dúvida. No entanto, elas
devem ser um meio de aprimoramento e crescimento. Ensinar e aprender é
algo bastante dinâmico, não dá para reduzir a uma lista classificatória.
É preciso mudar o modo de ver as coisas. Que a experiência das escolas
com esse exame sirva para que elas repensem suas práticas.
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